domingo, 5 de setembro de 2010
Aquarela
Uma pedra na mão.
Era comum estar distante. Aquele coração cheio de feridas não cicatrizadas recusava a cura. Afinal a lembrança da dor impedia de cometer o mesmo engano, e não se repetindo estaria livre da possibilidade de um novo abalo.
Seu mundo já existia em matizes monocromáticos. Em tons de cinza vivia pelos cantos pintando novas formas de continuar. O sentido de tudo que fazia se resumia aos planos traçados e arduamente conquistados. O que lhe tornava alegre, cada vez mais se aproximando do objetivo.
De repente em seu caminho um novo tom de vermelho chama a atenção. Mas vermelho? Por que vermelho? Eis que seus olhos voltam a ver as cores do mundo. Deslumbramento! Assim poderia definir sua reação. Como poderia não ver que o mundo é multicolorido?
Agora vive descobrindo novos matizes. O encantamento dá lugar ao fascínio e as cores se desdobram em tons nunca vistos. Vive a misturar as cores. Sua vida é uma aquarela.
Nunca mais enxergará em preto e branco!