terça-feira, 20 de julho de 2010

E quando achar que está tudo acabado,
eu não vou desistir.
Eu não vou ser domesticada.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Desejar

Experimentar
Provar teu gosto
Saciar a sede
Embebedar-me de ti.

Vem!
Perturbe a sanidade.
queime a pele.

Não, nada de promessas,
palavras soltas,
esquecidas, perdidas.
Quero o milagre dos corpos.

Esqueça a alma.
Dê-me a marca no corpo
Seu descaramento
Sussurros a perturbar o juizo.

Não pense!
Jogue-se na loucura dos desejos.
Não, não pense em mim!
Me torture corpo e juizo
Faça-me sentir.

Assim,
sem palavras rebuscadas,
versos simples.
Não complique.
Permita
a comunhão dos corpos,
o desejo.

Ouça
A respiração
O coração
Os sussurros
Gemidos
A vontade
O desejo que queima
A pele que arde.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Verbalizando

Chegar,
olhar,
tocar,
sentir,
beber,
respirar,
tomar,
morder,
suar,
despir,
pertencer,
possuir,
fundir,
refazer,
somar,
multiplicar,
consumir,
devorar,
desfazer,
partir.

Falha

És fascinação,
meu desejo torto,
encantamento.
Saudade por sentir,
vontade presa nos gestos,
desejo solto em pensamentos.

O olhar que despe
minha falta de estrutura.
Que importa?
Que perca a compostura,
o rumo.
Que saia do eixo,
do prumo.

Verbos soltos,
falha vocabular.
Perder o ar.
O tempo…
já não importa.

Não existe mais

Meus olhos nunca mais encontrarão os seus ansiosos,
a sede de um carinho.
Quanta maldade guarda um coração humano?

Eu que sabia tanto de mim

Os pés descalços
alguns espinhos sangram-me.
A dor, quase insuportável,
me faz querer desistir.
E uma força estranha,
vinda de um vestígio de alma,
me obriga a seguir.
Os soluços persistem,
as lágrimas lavam-me o rosto.
Mas minha alma,
esmagada num canto qualquer,
pede socorro.
Pensamentos torturam o corpo.
E eu invejo a paixão dos suicidas,
a sanidade louca dos poetas
que violentam as palavras
e se servem tranquilamente delas,
não sem dor,
mas sabiamente.
E então saberia
onde sangra minha alma
ou, quem sabe,
sossego lhe daria.

O beijo

Ruminando versos
Um aperto no peito
Quem sabe um vazio n’alma
E então…
lábios amargos se esmagam
contra os meus.
Um instante,
Um simples lapso de tempo,
e um beijo intenso e dolorido.
O coração dispara
um suor frio na palma da mão,
Um sussurro gélido ao pé do ouvido,
e a certeza cética da loucura.
Os olhos se negam,
as mãos não ousam.
Escolho a dúvida,
a inconstância, mas…
a solidão beija-me em silêncio.

Sem meias palavras

Palavras vadias,
meretrizes de um só papel.
Se vendem por míseros
quinhões de amor.
Se prostituem e
zombam de meu desconcerto.
Num instante me possuem,
Noutros deixam-me presa
Na teia de seus próprios desejos,
e se vão…
Dançam no palco de meus pensamentos,
se insinuam,
Despertem-me e,
Já num êxtase delirante,
dominam-me,
dão seu preço,
que eu,
mendicante de expressões,
não posso pagar.

Algo que lhe aqueça

Os primeiros raios do sol atravessam a janela
E nenhuma luz em tua alma.
Perdeu-se em uma esquina qualquer,
E tudo, tudo lhe aflige.

Tentou as lágrimas,
Mas nem estas lhe servem mais.
Seus olhos, frios e vazios,
Só dizem de seu desespero.

No fundo quer falar,
Gritar,
E o grito lhe esmaga a garganta.
Rasga-lhe o coração.

Mas que importa?
Já se esqueceu de sentir.
De onde vem esse medo que esmaga a alma?

A você!

Palavras me saltam aos olhos,
Percorrem-me a face,
Beijam-me a boca,
Surrurram-me aos ouvidossegredos inconfessáveis.

Palavras sibiliam no ar que preenche-me os pulmões,
Tiram-me o fôlego,
Vivificam-me as vontades,
mas se negam à consumação dos atos.

Não! Ainda é cedo.
Eu tenho medo.
E nesse eterno desejar, elas, as palavras
violentam-me as sensações.

E nesse gesto torpe,
um atentando delicado, fino,
uma tortura doce
aos sentidos exauridos,
a ternura insana dos desejos insaciados.

Foi só a madrugada

Ali, numa mesa de bar. Na mão um cigarro, das doses já não tem mais conta. Seu rosto marcado, a maquilagem borrada. Não ela não usa batom. Seus lábios, ontem desejados, estão opacos e amargos.
–Garçom, mais uma dose!
Embriaga-se. Por algum motivo hoje suas dores estão à flor da pele. Bebe para esquecer. Pobre moça, amanhã esquecerá o porre mas irá lembrar-se da dor. Esta que no momento lhe esmaga o peito, lhe causa angústia, repulsa, enjôo, raiva da própria fraqueza.
Frágil mulher. Carrega o peso de seus sonhos em sua caminhada, as vezes tranquila, outras vezes turbulenta, mas sempre só. Desaprendeu a dividir os sentimentos. Não ama, não se entrega, não quer , e não sabe como, se prender. Sente vontade de chorar. Mas tornou-se fria.
Acende mais um cigarro, outra dose e a noite já quase madruga. Suas dores estão quase anestesiadas. No bar, apenas os últimos amantes. Ela não está só. Em silêncio compartilha sua dor.
–Amigo, a saideira!
Seu corpo já não aceita mais. Mas ela precisa embriagar-se. Embora não suporte encarar sua cara embriagada. Não suporta pena. Ainda se lembra que mora do outro lado da rua. Melhor partir.
–Amigo a garrafa e a conta!
Termina sua dose, paga, se agarra à garrafa e sai. Ainda não saiu do salto, mas tem um “cambalear” que não lhe é comum.
Já em seu quarto. Pensa: -um livro, um banho…não! Bebendo na garrafa. Falta pouco. Se entrega! Sim, agora sim, suas lágrimas. Chora como uma criança no silêncio de seu quarto.
Toma o último gole. Minutos depois se entrega ao sono.
Já é manhã. Se espanta com sua inesperada nudez. Depara-se com uma garrafa vazia. Não se lembra como chegou até sua cama. Banha-se, prepara seu café e sai.
Seu dia hoje será longo.

Ela.

Lá estava ela.
No mesmo lugar de sempre, com um livro à mão, fingindo atenção. Seus pensamentos nem ali estão. Alçam vôos, vadiando em cada possibilidade de fuga. Finge não ser desse mundo. Finge não sentir dor. Finge que conhece seus próprios sentimentos. Mas o que nela é real?
Seus olhos fixos em algum ponto, nada importante, apenas prendendo-se aos pensamentos. O que ela pensa? Quais são seus medos? Como e com que intensidade ama?
Mas sua máscara se desfaz. Aos poucos mostra sua inesperada pureza. Olhos sedentos de algo que desconhece. Um coração vazio, frio, mas descompassado. Ela quer falar de amor.
Teus braços esperam ansiosamente por abraços protetores. Ela só quer um ombro para chorar, falar de suas dores, sem ter que fingir-se. Ela desconhece sua própria força. Esta sempre ali, sozinha. Senta-se todo dia no mesmo ponto, lança mão de seu inseparável livro e vaga por ai.
Viaja em pensamentos e cria mundo em sua mente. Ali, onde ela sabe: ninguém poderá detê-la, desprezá-la, nem mesmo zombar de seus temores. Quando chega a noite ela se vai, deixa em seu canto a sombra de sua presença. Vai sonhar outros sonhos.
Tranca-se, o corpo e o quarto. Agora inventa. Ela tem um abraço, tem o calor. Nada real porém, apenas sua imaginação. Objeto do qual dispõe para não ser só.Acaba seu sonho, seus olhos não são capazes de disfarçar sua decepção. E ela chora. Chora todas as suas dores, todos os seus amores não vividos, suas angústias. E dorme. Como um anjo, desprovido de asas, adormece entre soluços. Essa é sua vida. Ela sabe ser pouco, mas tem medo de se jogar.
Amanhece o dia e tudo se repete. Seu livro, seus devaneios, seus encontros. Insistentemente a mesma rotina. La está ela, os olhos fixos, os pensamentos distantes, sua sombra e seus sonhos.
Ela talvez não exista, apenas viva. Mas não se deixa viver. Por vezes mato-a, mas ela renasce. Insistente, forte, com o coração dominando meus sentidos.

Nada de nada

Estou aqui. Os olhos em uma aflição, querendo verter em lágrimas tudo o que me aflige.
O pensamento. Ah! Nem sei onde anda. Nem se anda.
Mas os olhos… Insistentemente querem me fazer assumir uma fraqueza que busco a todo instante camuflar.
Numa angústia desenfreada, sentei aqui. Estou tentando procurar palavras, algo que me alivie, que dê um pouco de tranquilidade a um coração descompassado.
Não! Eu não estou falando de amor. Na verdade não sei do que estou falando. Só de uma angustia. Uma dor, saudade, vontade, ansiedade, angustia, tédio. Tudo isso pode ser conseqüência do ócio, ou não.Estou confusa, se voltar e ler o que escrevi talvez acabe o meu tédio de tanto rir de minha… nem sei o que definir. Mas não lerei, ou não continuo a tentar botar para fora isso que está aqui e nem sei do que se trata.
Meus pensamentos confusos. Os olhos rasos d’água. E um sentimento que ainda não descobri de onde vem me perturbando. Devo estar pirando. Deve ser essa a única explicação lógica para tanta falta de nexo.
É! Acho que ultimamente estou sem nexo. Sem direção. Sem caminho. Sem nada. Estou buscando me encontrar. Mas como? Não sei em que esquina deixei toda a minha frieza.
É! Frieza mesmo! Às vezes até um tanto quanto calculista. Aquela que pensa em algo realiza e espera, ou melhor, sabe dos resultados. Estou sem saber de nada. E nem mesmo sei como aconteceu isso.
Peguei-me olhando pra um passado que jurava ter esquecido que existiu. Senti falta de tanta coisa, que jurava não mais me importar. Estou andando em círculos, circundando minha própria falta de argumentos para esse instante de fraqueza.E as lágrimas? Eu não consegui verter. Estou numa ausência total de sentimentos. Acredito que meu problema e querer sentir. E nada me toca afinal. Isso não é bom!
Eu quero, eu preciso, eu devo gritar. Mas tudo ficou mudo. Um silêncio total. Só o instante. Esse mesmo que já deveria ter passado e dura uma eternidade. Essa espera angustiante de uma resposta. Esse devaneio, que quase beira a loucura. Essa loucura. Essa tentativa frustrada de dizer tudo o que eu não sei.
É assim que permaneço!

...

Mãos trêmulas
O grito do silêncio
Os olhos fechados
A boca ansiosa.
Teu olhar preso na retina

Tua voz
O som dos teus passos.
Teu hálito.
Um beijo

O arrepio…
Tuas mãosCalor…
Tua pele…

Um sussurro….
Abraços.
Segurança!
Olhos abertos.

Visão perturbadora.
Coração acelerado.
E um gélido divórcio.

Reconhecimento

Enxugo minhas lágrimase parto em busca de um novo sol.
Procuro soluçar baixinho
Para que ninguém ouça e se torture com minha dor.
De forma alguma vou encarar olhos ávidos e curiosos.
Não reconheço a pessoa que aqui dentro espera por um olhar teu.
Qualquer dia descobrirei em mim uma vontade louca de te ver.
Ansiar seus toques.
Saciar desejos.

Eu não vou esquecer!

Observar a tragédia humana
Rir da desgraça alheia
Embebedar-me de tudo que não sou eu
E fugir desse meu mundinho.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Verdades


Essa é apenas mais uma das tantas cartas
Que não envio e nem releio.
Apontamentos de uma vida insegura
Ansiando uma resposta às perguntas que não fiz.
As palavras se perdem,
tudo torna-se um emaranhado de coisas não ditas.
Sentimentos e mundos desfeitos.
Crenças sem um fundo de verdade!
Ou verdades que eu criei.
Nada do que digo faz sentido,
nem mesmo faz sentido o que penso.
Estou apenas dando voltas
e tentando dizer a mesma e conhecida conclusão:
você me perturba de uma forma completamente indizível!

Pensando

Pensamento voando longe.
Coração ao relento.
Alma que se embriagou
com a loucura desse teu olhar.
Lembrar teu gosto.
Por um instante ouvir sua voz.
E um silêncio ensurdecedor que há aqui dentro grita seu nome.
A loucura avisa quando chega?

Chove!

Deixo que a chuva caia sobre meu corpo.
Que afague-me.
Sacie uma sede que desconheço.
eu, tão escrava das razões,
versando sobre desejos abstratos.
Meus sonhos escondidos no fundo d’alma.
Sua concretude não pode ser real.
Distantes são nossos mundos.
Mas a chuva,
essa que provocou meu devaneio ainda cai.
Percorre meu corpo junto à minhas lágrimas disfarçadas.
Não devia chorar…eu não devia.
Mas a chuva!
Ah!A desculpa perfeita.
Ninguém irá notar se tento lavar minha alma.
Ninguém irá encarar meus olhos,
e notar suas dores.
Mas a chuva.
Ah! Essa que cega meus sentidos,
mas não apaga minhas dores.
Não sacia-me.
Preciso de algo mais intenso.
Mas luto com minha consciência.
E acordo.

Soluço!

?

Soluços.
e uma vontade imensa de fingir que não estou aqui.
Queria gritar,
e nesse grito expulsar minha alma errante que sangra!
E por um instante acreditar que sou capaz.
E acreditando,
antingir o ápice de minha loucura.
E fazer de minha insanidade um motivo para acreditar que sou feliz.
Mesmo que me fujam todos os sonhos.
Ainda que meu coração já cansado,
insista nesse desejo louco de amar tudo o que criei em você.
A verdade é que amo tudo o que já não é.
Se é que um da foi.

O som da noite!


Ouvindo o som da noite. Tentando recriar na mente todas as cenas e gestos. Ah se meu mundo fosse essa noite!
Mas a madrugada se aproxima, e sem que ninguém perceba a noite morre. Morrerão também meus sonhos e lembranças. Quando a luz invadir meu quarto nada restará. Apenas lembranças dolorosas de tudo que poderia ter sido e não foi.
Que dor angustiante é essa? Quase uma dor, quase uma experiência, quase um amor e nunca chegar a tal. Cansei-me de coisas pela metade. Quero o todo. Não tenho que me acostumar a viver com metades nem restos.
Mas o que fazer se não consigo tranformar em gestos ou palavras o que guardo por dentro. Nem lágrimas consigo verter.
Tento criar coragem, mas minhas atitudes não correspondem ao que planejo. Não pode ser o fim. Mas a noite me atrái.

Lágrimas


Ela construiu seu reinado suando seu sangue imundo. Solidificou suas estruturas com as diversas pedras que nela atiraram.
Seu coração, de tanto ser submetido à mesma dor, tornou-se insensível. Mas existe uma dor na alma, que a todo custo insiste em transbordar os olhos.
Se olhos se tornaram cegos, são janelas de sua alma que, no entanto, refratam todos os seus sentimentos.
Sentimentos conturbados e confusos. Ela não sabe transmiti-los. Esqueceu-se como agir. A solidão a tornou fria, por mais que queira se entregar.
Seus olhos úmidos não sabem chorar. O choro vem do coração.

Saudade!


Sabe o que é triste?

Descobrir que a saudade dói! E o pior: saudade de tudo o que não foi. Saudade das palavaras que não disse. Dos abraços que não dei. Dos beijos que não roubei. Do coração que não parei para ouvir.

Tudo é uma questão de tempo. E a saudade é doce. A não ser quando fere. Quando mantem suas feridas expostas. E quando estas ainda sangram.

Finjir que nada acontece se torna cada vez mais impossível. Mas não aprendi a demonstrar sentimentos. Não estava em meus planos ser vulnerável.

Insanidades

É à noite que meus medos se tornam mais terríveis. É quando estou só e nenhuma razão me distrái. Quando a lembrança toma conta e chorar se torna inevitável. Não adianta, mas alivia.

São lembranças dolorosas. Saber que tudo que temia se tornou real, e aconteceu tudo o que você sempre evitou, tudo como não era pra ser. Ter consciência de que nada será como antes é angustiante, assim como ter certeza de que não vai se repetir.

Pior é ter que guardar comigo as lembranças, tentar desviar os pensamentos, ou me manter bem diante da insanidade do que sinto por dentro. Eu não sei mais como agir. Todo o meu controle se foi quando te conheci.

Ela não é mais a mesma.

Ela se entregou a ele.

Despiu-se de todos os seus medos.

Encarou seus olhos, mesmo temendo sua própria reação.

Embriagou-se no seu sorriso.

Sentiu todo o seu cheiro.

E descançou em seu corpo.

Agora guarda lembranças.

Trechos de fala sem nexo.

Pequenas fagulhas de um olhar roubado.

O calor da pele.

Tenta lavar-se com sua próprias lágrimas.

Sente-se suja.

Não encontra nem o olhar daquele a quem entregou o que há muito guardava. LCL

Vazio!


Meus olhos se perderam buscando um ponto a que se apegar e se sentir segura. Mas nada. Apenas um vazio. Um silêncio ensurdecedor que tomava todo o espaço que existia. E havia muito espaço.

Pensava que tudo era uma questão de tempo. Mas tempo é um bem relativo. Queria desfazer-me de tudo. Pura ingenuidade, as marcas existem. Em nenhum momento poderei desfazer-me do que ficou.

Um olhar que se perde a todo instante. Um pensamento fugidio, que vez por outra me surpreende.

Não me reconheço em mim. Lutei tanto para construir minha pequena fortaleza, e nem precisou de um exército para desfazê-la.

Tudo é vago. Minhas palavras que não dizem o que penso. Meus gestos involuntariamente reprimidos. Tenho medo. E se minhas máscaras não mais derem conta de minhas necessidades?

Sinto que torno-me figurante de minha própria vida!

Foi só um sonho


Tenho medo daqueles que dizem que devo arrepender-me de meus atos insanos.

Nem tudo tem que estar nos conformes. Há brilhos nos sonhos inesperados. Há prazer no que não foi pensado. Nada de programar. Viver a intensidade dos momentos. E depois pensar.

Mas não se arrepender, em hipótese alguma. A ninguém dar a alegria de lhe ver tropeçar nas pedras que deixaste no caminho. Salte-as. Se são obstáculos maiores que suas pernas, faça degraus com os menores, mas suba. E lá de cima admire sua caminhada. Seus pés sangram, eu sei. Mas as feridas irão cicatrizar, restarão as marcas para que em momento algum esqueça-se de seu trajeto.

Se o caminho não for o melhor possível, sinceramente, dane-se! Não temos caminhos prontos, fazemo-os ao caminhar. A dor bate na porta, mas tens o direito de não atender. Finja que não a escuta. E quando seus ouvidos não mais suportarem, simplesmente acorde!

Nada do que possuo me interessa

Mãos e braços que se abraçam. Bocas que se beijam. Tudo numa presença completamente tomada por ausências sentidas e profundamente sofridas.

Um amor que não sinto.

Um desejo que não me toca.

Uma vontade imensa de finjir que não estou aqui.

Uma alegria efêmera, substituída por uma lágrima dolorosa.

Tantos encontros desencontrados.

Tantos desejos reprimidos.

Tantos sonhos interrompidos.

E no final…

Tem um final?

Fugas e reencontros

Perdida num mar de incertezas que povoa minha mente, busco entender o que aqui se passa. No entanto acho que não quero enteder, questionar-se gera necessidades. E creio que já bastam as que possuo.
Construir teorias mirabolantes, sonhos incompletos são apenas fugas. Fujo de meus anseios buscando abrigo na minha solidão. Ali, onde ninguém me vê, posso chorar e ser fraca. Não terei que esconder de mim todas as minhas angústias.
No entanto anda ficando dolorosa essa minha tentativa fracassada de esconder meus medos. Os omito de outros, mas a mim não consigo mais enganar.
Propor-me desafios torna-se a saída para não cair na armadilha de desviar-me desse mundo. Mas fujir do que sou é uma ideia inútil!

Qual a medida certa?

Não sei o que sou, mas desconfio que não gosto.Todo em mim lembra um passado que fui, e que corro contra o tempo para fingir que não existiu.Tenho medo e às vezes não consigo dormir.

Esse dilema de conviver com incertezas a respeito de mim se torna uma tortura. Meus olhos não me vêem como deveriam. Minha mente me engana com suas artimanhas, já involuntárias, para esconder meus medos. Demonstrar fraquezas não está de forma alguma nos planos.

Mas às vezes quero apenas chorar. Simplesmente chorar em silencio. E acreditar que todas as mágoas e feridas cicatrizaram. Outras, apenas quero mantê-las ali como testemunhas de tudo que não devo repetir. Marcas vivas de tudo que passei e que por vezes escondi de mim mesma.

Minhas crenças onde ficaram? Meu mundo em que canto está? A detenção interna de todas as minhas fraquezas me torna cada vez mais vulnerável. Eu não aprendi a me render. Será que tudo vai passar?

Qual a medida da razão?

Do alto de minha torre

Falar de sentimentos se torna uma tortura quando se treinou o máximo para não demonstrar suas dores a ninguém. A ninguém darei a satisfação de me ver chorar.

Triste reconhecer que o que pensava ser eu não sou. Mas quem sou eu? Tomada por essa ideia maluca de construir meu abrigo, minha grande construção hoje em ruínas, subi o mais alto que podia. Hoje me vejo caindo do topo de minha edificação.

É duro ver seu mundo desmoronar. É insuportavelmente doloroso acreditar que não se é o que queria ser. Se sou penso que deixei de acreditar. Mas jamais terão notícias dos meus castelos em ruínas, a fachada ainda está aqui, intocada. Talvez não tão convicente como antes, mas engana bem , as vezes até eu acredito.

Podem desistir, pelo menos por enquanto, aqueles que sonham me ver entregar o jogo, se ainda tenho chances de vencer, vencerei, nem que seja pelo cansaço.

De tudo que eu sei, pouco perto do que ainda saberei, farei uso pra manter minha grande construção, do topo da qual semeio minhas sementes de solidão que eu não quero colher. Mas é um processo sem volta e me doí pensar que terei de entregar meus truques se quiser me libertar de minha prisão sem grades.

Um dia tudo isso vai cicatrizar, e tudo que haverá serão as cicatrizes, duras lembranças de tudo que eu não sou. Lembranças cruéis que me perseguirão assustadoramente, mas que aprendi a não temer.

De onde vem?

Estou anorahnsiosa por algo que desconheço.

Um vazio toma conta e uma dor vinda não sei de onde, esmaga meu peito com uma força absurda.

Acho que a loucura toma conta. Descrever o que se passa aqui dentro é uma angústia dolorosa que sufoca. Um querer libertar-se mesmo sabendo não haver uma prisão. Sentir uma ausência sem nunca ter vivido uma presença.

Minha mente anda me traindo, traça armadilhas que meu tolo coração aceita. Este acelera sem motivo algum, e me embriaga de uma euforia e subitamente se acalma.

O que anda se passando por aqui?

o que sou?

Acredito que nada sei do que sou. Do que quero, sei apenas que ainda não sou.

Mas o que realmente quero dizer com tudo isso? Nada, nem ninguém, deve saber ou desconfiar de minhas fraquezas. A todo instante devo finjir que sou tudo o que eu queria ser. Mas é certo mentir para mim mesma?

Minhas incertezas me confundem. Falo nesse instante sem saber o que digo. Nada do que penso faz sentido. Muita incerteza paira sobre minhas certezas encobertas por minhas diversas máscaras. Máscaras que confudo com minha real face. Minha mente me engana a respeito de mim mesma. Mas porque confundir? De que adianta o mundo que criei se amanha tudo se desfaz?

TEM EXPLICAÇÃO?


Se não sei nem do que se trata esse meu meu sofrimento, esse meu vazio ansiando uma presença há muito sentida, mas jamais vivida.
Se não sei nem o que quiz dizer com meu emaranhado de palavras anteriormente descrito.
Se não sei porque fiz isso.
Por que buscar explicações? Criar novas necessidades, se desconheço as que possuo.