Estou aqui. Os olhos em uma aflição, querendo verter em lágrimas tudo o que me aflige.
O pensamento. Ah! Nem sei onde anda. Nem se anda.
Mas os olhos… Insistentemente querem me fazer assumir uma fraqueza que busco a todo instante camuflar.
Numa angústia desenfreada, sentei aqui. Estou tentando procurar palavras, algo que me alivie, que dê um pouco de tranquilidade a um coração descompassado.
Não! Eu não estou falando de amor. Na verdade não sei do que estou falando. Só de uma angustia. Uma dor, saudade, vontade, ansiedade, angustia, tédio. Tudo isso pode ser conseqüência do ócio, ou não.Estou confusa, se voltar e ler o que escrevi talvez acabe o meu tédio de tanto rir de minha… nem sei o que definir. Mas não lerei, ou não continuo a tentar botar para fora isso que está aqui e nem sei do que se trata.
Meus pensamentos confusos. Os olhos rasos d’água. E um sentimento que ainda não descobri de onde vem me perturbando. Devo estar pirando. Deve ser essa a única explicação lógica para tanta falta de nexo.
É! Acho que ultimamente estou sem nexo. Sem direção. Sem caminho. Sem nada. Estou buscando me encontrar. Mas como? Não sei em que esquina deixei toda a minha frieza.
É! Frieza mesmo! Às vezes até um tanto quanto calculista. Aquela que pensa em algo realiza e espera, ou melhor, sabe dos resultados. Estou sem saber de nada. E nem mesmo sei como aconteceu isso.
Peguei-me olhando pra um passado que jurava ter esquecido que existiu. Senti falta de tanta coisa, que jurava não mais me importar. Estou andando em círculos, circundando minha própria falta de argumentos para esse instante de fraqueza.E as lágrimas? Eu não consegui verter. Estou numa ausência total de sentimentos. Acredito que meu problema e querer sentir. E nada me toca afinal. Isso não é bom!
Eu quero, eu preciso, eu devo gritar. Mas tudo ficou mudo. Um silêncio total. Só o instante. Esse mesmo que já deveria ter passado e dura uma eternidade. Essa espera angustiante de uma resposta. Esse devaneio, que quase beira a loucura. Essa loucura. Essa tentativa frustrada de dizer tudo o que eu não sei.
É assim que permaneço!
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