quinta-feira, 15 de julho de 2010

A você!

Palavras me saltam aos olhos,
Percorrem-me a face,
Beijam-me a boca,
Surrurram-me aos ouvidossegredos inconfessáveis.

Palavras sibiliam no ar que preenche-me os pulmões,
Tiram-me o fôlego,
Vivificam-me as vontades,
mas se negam à consumação dos atos.

Não! Ainda é cedo.
Eu tenho medo.
E nesse eterno desejar, elas, as palavras
violentam-me as sensações.

E nesse gesto torpe,
um atentando delicado, fino,
uma tortura doce
aos sentidos exauridos,
a ternura insana dos desejos insaciados.

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