quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eu que sabia tanto de mim

Os pés descalços
alguns espinhos sangram-me.
A dor, quase insuportável,
me faz querer desistir.
E uma força estranha,
vinda de um vestígio de alma,
me obriga a seguir.
Os soluços persistem,
as lágrimas lavam-me o rosto.
Mas minha alma,
esmagada num canto qualquer,
pede socorro.
Pensamentos torturam o corpo.
E eu invejo a paixão dos suicidas,
a sanidade louca dos poetas
que violentam as palavras
e se servem tranquilamente delas,
não sem dor,
mas sabiamente.
E então saberia
onde sangra minha alma
ou, quem sabe,
sossego lhe daria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário